domingo, 23 de janeiro de 2011

Sobre arte e gostos

Um professor que eu tive, de Literatura, certa vez disse que a diferença entre poema e poesia era que o primeiro era uma estrutura de palavras que transmitiam uma mensagem, enquanto que a segunda era aquilo que continha a capacidade de provocar emoção. Logo a poesia não está em todos os poemas, nem está restrita aos poemas... cito a cena do Chaplin fazendo aquela dança dos pãezinhos e mais uma vez parafraseando meu professor: "Somente um bruto é capaz de assistir àquela cena e não sentir nada."

Isso é poesia. Se você conseguiu me entender até aqui, legal. Então deve estar sacando que este conceito se estende à filmes, séries, músicas, artes plásticas e cênicas, quadrinhos, desenhos animados...

Então, esse foi o prólogo. Continuando: pessoas são diferentes. Tipo, desde o gene até a forma de pensar. Isso não é uma ideologia, é um fato. Por extensão, os gostos das pessoas são diferentes. Sentem coisas diferentes, se emocionam com coisas diferentes.

Acho que foi por isso que Sartre disse que o "inferno são os outros". Porque ele estava lá na casa dele tentando escrever sobre existencialismo, e o vizinho dele estava escutando swingueira bem alto: "não me chame não viu, não me chame não que eu vou... venha, venha, venha..." Ah, os seres humanos, tão iguais e tão diferentes...

Ok, swingueira é ruim? Filosofia é bom (boa)? Meu gosto é melhor do que o do meu vizinho? Bem não vou responder as perguntas, porque foge completamente ao assunto, pois proponho uma reflexão e não impor respostas. (...imparcialidade à parte: swingueira é ruim, Filosofia as vezes é legal e meu gosto é sim melhor que o do vizinho!!!!!!!!...)

A questão é que, uma vez que o gosto é particular, inerente ao ser humano, me parece uma perda de tempo criticar o gosto do outro. "Tu assiste novela?" "Todo rockeiro é drogado." "Tu torce pro Vasco?" ... entre outros. É como criticar uma pessoa por ter braços, ou por ter fome.

E ainda tem os "xiitas", que são aquele tipo de pessoa, e eu tenho quase certeza de que você conhece algum, que NUNCA gostam de nada e DESPREZAM as pessoas por seus gostos. O "xiita" é uma digivolução da pessoa escrota normal. Eles geralmente acreditam que só é digno da existência, aqueles cujo o gosto é igual ao seu. e não se enganem: o "xiita" não é privilégio de uma classe socioeconômica, é um jeito de ser. Não são só os Nerds que são "xiitas". Tem tanto aquele cara do gosto refinado e que nada mais presta, quanto aquele cara primata (desses tem muito) que acha que a vida do homem se resume a pegar mulher e falar de carro.

O "xiita" é um fanático, e o fanatismo bloqueia a maior parte da percepção da realidade. Todo ser humano passa por uma fase fanática na vida: a adolescencia. Isso é necessário, pois é se apegando a turmas, gostos e jeitos de ser que ele constrói sua identidade. Mas aí, depois se percebe que existe um mundo maior do que seus gostos, e que existem pessoas diferentes, e que isso não anula sua própria existência. Eu posso gostar de Arctic Monkeys, e meu irmão mais velho pode gostar de Metallica e o meu mais novo pode gostar de Sorriso Maroto (o que é uma merda) e ninguém vai desaparecer ou ser mais importante que o outro. Continuar no fanatismo é sinal de que ainda está na adolescencia, independente da idade.

Se as pessoas gostam do que gostam, isso é da conta delas. Não cabe a mim dizer se ela vale alguma. Eu posso até dizer que ela não vale nada (e muitas vezes eu digo, MUITAS vezes... pura descarga de frustração, isso pode.) mas minha palavra vale tanto quanto a sua. No fim vai todo mundo ser enterrado no mesmo chão, para os vermes nós seremos só carne.

Agora uma coisa vale reclamar: a arte consumista. Em outras palavras: a Televisão e sua grade de programação, o cinema e as múltiplas mídias, músicas, publicidade (desculpem-me os publicitários, mas como os advogados, vocês carregam um estigma de uma profissão demoníaca) ... tudo aquilo que existe para gerar necessidade contínua. Isso é uma merda, disso vale a pena reclamar!

A nós pessoas cabe o consumo sincero da arte, aquilo que você precisa e não aquilo que disseram para você precisar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

(Daburo!) Tutorial - "Batalha Espacial" e "Lovin' you"

BATALHA ESPACIAL

Ah essa é dos tempos de escola... diretuuu do túnelllll do tempooo......

Material necessário: 1 folha de papel, 2 canetas (de preferencia cores diferentes), 2 pessoas (já perceberam que eu sempre considero as pessoas como material necessário?)

Objetivo: Destruir as naves do coleguinha antes que ele destrua as suas.

Procedimento: A folha de papel é dividida na metade exata. Os dois participantes entram num concenso (é assim que se escreve?) de qual é seu lado da folha, com quantas naves vão povoar a folha e, principalmente, o tamanho das naves. Depois de obedecido esses pré-requisitos, sorteia-se quem começa. O jogador que começa deve atacar. O ataque é da seguinte forma: o jogador marca um ponto do SEU lado da folha, em qualquer lugar que desejar; depois dobra a folha na linha que divide os campos; com a folha dobrada, marca por fora o lugar onde marcou; desdobra (?) a folha e veja no campo inimigo onde seu tiro foi parar, marca ele; se tiver errado uma nave, só na próxima; se tiver acertado, menos uma nave para seu inimigo; procede-se assim com o outro até acabarem as naves do campo.

Nostálgico, não?


LOVIN YOU

Essa brincadeira é pra quem tá afim de testar seu vocal agudo.

Material necessário: Pessoa corajosa. Música "Lovin You" da Minnie Riperton em algum dispositivo tocável.

Objetivo: Passar vergonha. Descontrair. Ou os dois ao mesmo tempo.

Procedimento: Poe-se a música para tocar. Bem, de acordo com meus estudos a parte que interessa é a partir do 46º (quadragésimo sexto) segundo da música (00:46'') pode ser que seja diferente com vocês, o que importa é que é a parte que ela canta "lalalala-la, lalalala-la, lalalala-la lala lala-la... un duru-ru-ru-ruruun... aaaaaaaaahh..." se vocês encontraram essa parte, é ela que interessa.
O indivíduo atenta para essa parte e canta junto com a cantora, tentando ao máximo chegar perto do agudo épico dela.
Aqui vai um vídeo da música pra quem não conhece:





Observação: Pode-se substituir a música. Por exemplo você pode usar "Kick Ass" do Mika e tentar alcançar o agudo dele na hora do "We AAAAAAAAAAre Free!", ou aquela do James Blunt, acho que é "Same mistake", a parte do "aooooouuuuuuuuuuu...".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sobre "entender" e "compreender"

Existe um filho e um pai. O filho "cai na besteira" de dizer para o pai que quer ser... sei lá, jornalista. O pai ri da inocência do garoto e diz que ele tem é que fazer concurso público, porque ser empregado de alguém é uma merda: ganha pouco, não tem seu trabalho reconhecido, é estressante, etc... A semente da crença de que esse mundo só tem lugar para advogados, médicos e derivados...

A intenção do texto não é discutir se o que o pai diz ao filho é certo ou errado. Longe de mim duvidar da sabedoria dos pais (sem sarcasmo). Eles tem anos de experiência na nossa frente plus sabedoria dos avôs e tals... Logo tem uma indubitável carga de sabedoria. E aí eles passam para os filhos. Nada mais justo, não?



Só que tem um probleminha aí. É o mesmo problema dos conselhos. Os conselhos, as dicas são abstrações intelectuais (ou seja: só palavras) de sentimentos e sensações. A palavra “dor” representa uma sensação de mal estar, incômodo que afeta o corpo. Representa. Mas não é a mesma coisa.


Ora bolas, o que acontece no conselho é que a Pessoa 1, que vivenciou uma situação, sentiu e interpretou passa para a Pessoa 2 a sua interpretação da situação. Isso não é crime, assim como a maioria das coisas do mundo. Ora bolas (2), se fulano meteu o dedo na tomada e pegou um choque, vivenciou o choque e chegou a conclusão que doeu pra porra, e me diz que não é para eu meter o dedo na tomada, eu o agradeço. Porque eu ENTENDI (racional) o que ele quis dizer e não preciso COMPREENDER (vivencial). O problema está quando, e aí nós voltamos ao exemplo inicial, o conselheiro direciona o aconselhado no sentido do seu conselho (você TEM que fazer isso...) quando a situação não implica num risco de vida (ou seja, isso não é proibido no exemplo da tomada), impedindo o aconselhado de vivenciar a situação e tirar suas próprias conclusões.


A minha geração é a dos filhos superprotegidos. Vê-se mães que correm atrás de filhos de 8 anos para dar comida na boca. Porque ficar com fome é ruim, eu já passei fome e nunca vou deixar meu filho passar fome. Ora bolas (3), quando se está com fome, busca-se uma saída para isso! Se uma pessoa é prevenida de ficar com fome ela nunca vai aprender a ir atrás de comida!


Não dá para o filho fazer o download das vivências dos pais (feliz ou infelizmente). Direcionar as escolhas das pessoas só vai fazê-las ficarem anestesiadas, aí o risco por si só já é ruim... Ora bolas (4)...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Tutorial - A corrida das laranjas

Material necessário:
sem competir - Uma laranja, ou material esférico similar
para competir - Duas laranjas, ou materiais esféricos similares
Cadeiras referentes ao número de pessoas que participarão
Número de pessoas suficiente para a brincadeira ter graça (tipo umas doze, ou mais...)
Um juiz, para competições

Procedimento:
Pode-se brincar de duas formas. Sem competição e com competição.

Sem competição - As pessoas sentam-se nas cadeiras, lado a lado, a laranja (ou objeto esférico) está nos pés da primeira pessoa. Dado o sinal esta pessoa passa a laranja para os pés da outra de forma que a laranja chegue ao fim da fila, sem que ninguém tenha usado as mãos.
Meio sem graça assim...

Com competição - Dividem-se as pessoas em duas equipes. As equipes formam duas filas de forma que fiquem de lado do seu companheiro. Os primeiros de cada fila preparam as laranjas em seus pés. O juiz dá o início e a corrida começa. Se a laranja cair, o jogador que deixou cair deve levantar do seu lugar, pegar a laranja e pô-la (?) de volta no começo da fila.
Ganha a equipe que primeiro fizer a laranja chegar ao final.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sobre "Boys"

Certa vez estava numa festa na casa de uma tia minha. Sempre me senti solitário lá. Já já vocês vão descobrir o porquê.

Nesta certa vez eu estava "escondido", deitado num sofá, num canto da casa onde eu achava que ninguém ia me achar. Mas a vida, ah, a vida é uma caixinha de surpresas, e nessa fatídica tarde fui encontrado por um cara, um dos boys da família. "E aê cara" ele disse, e sentou num sofá perto de mim. Nem conversou nada, mas deu uns 30 segundos e foram surgindo boys e sentando perto dele (e de mim, consequentemente). E eles começaram a falar.

Foi bizarro. Eles estavam falando de carros, motos... "Mermão, meu pai nem sabia, aí eu peguei a moto..." "O carro tava tunado!!!" "Caí e a moto ficou detonada!" "... porque o negoço é o paredão, é disso que as gata gostam..." isso é o pouco que eu lembro. É, foi esse inferno bem aí. Eu passei por isso. Teve uma parte interessante que vou compartilhar com vocês. Certo momento da conversa deles, discutia-se o que era melhor de se fazer com 300 reais: se era rebaixar o carro ou por neon... dois boys em treinamento (ou seja, de uns 14 ou 13 anos...) estavam discutindo isso quando apelaram para o boy Master (o mais velho, com uns 20 anos, que por acaso foi o 1º que apareceu lá) e ele, com a sabedoria dos Boys, disse:

"O negocio é gastar com uma gata!"

E todos os outros riram e concordaram com ele "é mermo, é mermo..." Eu juro. Eu juro! Foi isso que aconteceu! E eu estava lá, no meio daqueles protótipos de homo sapiens, escondido no meu silêncio. Estava ouvindo aquele papo rolar... teve uma hora que, enquanto eles falavam em nomes de carros e qual marca era melhor, me veio um trocadilho em mente. E isso é terrível em mim porque, não sei se com alguém é desse jeito, mas quando o trocadilho vem TEM que ser dito. Não importa se é engraçado ou não, se é sem graça ou infame. ELE TEM QUE SER DITO! É como a gravidade... e eu disse, correndo o risco de ser incompreendido. Eu disse:

"Rapaz, vocês tão é jogando super trunfo?"

Os boys em questão pararam por 2 segundos, como se eu tivesse dito uma coisa totalmente sem sentido, e depois continuaram a conversa. Quase que o trocadilho tinha passado despercebido. Quase, porque depois de uns 15 segundos, o Boy Master riu e disse "super trunfo, hehe, super trunfo... hehehehhehehe". Os outros, em dúvida, perguntaram o que houve e ele disse: "Voces estavam falando qual era o carro melhor e ele disse que vocês estavam jogando super trunfo.. hahahahahha" E aí todos riram.

Sabem a "vergonha alheia"? Tipo, quando você fica envergonhado pela outra pessoa estar fazendo uma coisa estúpida? Pois é, eu estava assim naquele momento. Me levantei, disse que ia pegar um refrigerante e fui embora. Sei lá, vai que a "síndrome do Boy" pega...

Entenderam porque eu me sinto solitário lá?