quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sobre "Boys"

Certa vez estava numa festa na casa de uma tia minha. Sempre me senti solitário lá. Já já vocês vão descobrir o porquê.

Nesta certa vez eu estava "escondido", deitado num sofá, num canto da casa onde eu achava que ninguém ia me achar. Mas a vida, ah, a vida é uma caixinha de surpresas, e nessa fatídica tarde fui encontrado por um cara, um dos boys da família. "E aê cara" ele disse, e sentou num sofá perto de mim. Nem conversou nada, mas deu uns 30 segundos e foram surgindo boys e sentando perto dele (e de mim, consequentemente). E eles começaram a falar.

Foi bizarro. Eles estavam falando de carros, motos... "Mermão, meu pai nem sabia, aí eu peguei a moto..." "O carro tava tunado!!!" "Caí e a moto ficou detonada!" "... porque o negoço é o paredão, é disso que as gata gostam..." isso é o pouco que eu lembro. É, foi esse inferno bem aí. Eu passei por isso. Teve uma parte interessante que vou compartilhar com vocês. Certo momento da conversa deles, discutia-se o que era melhor de se fazer com 300 reais: se era rebaixar o carro ou por neon... dois boys em treinamento (ou seja, de uns 14 ou 13 anos...) estavam discutindo isso quando apelaram para o boy Master (o mais velho, com uns 20 anos, que por acaso foi o 1º que apareceu lá) e ele, com a sabedoria dos Boys, disse:

"O negocio é gastar com uma gata!"

E todos os outros riram e concordaram com ele "é mermo, é mermo..." Eu juro. Eu juro! Foi isso que aconteceu! E eu estava lá, no meio daqueles protótipos de homo sapiens, escondido no meu silêncio. Estava ouvindo aquele papo rolar... teve uma hora que, enquanto eles falavam em nomes de carros e qual marca era melhor, me veio um trocadilho em mente. E isso é terrível em mim porque, não sei se com alguém é desse jeito, mas quando o trocadilho vem TEM que ser dito. Não importa se é engraçado ou não, se é sem graça ou infame. ELE TEM QUE SER DITO! É como a gravidade... e eu disse, correndo o risco de ser incompreendido. Eu disse:

"Rapaz, vocês tão é jogando super trunfo?"

Os boys em questão pararam por 2 segundos, como se eu tivesse dito uma coisa totalmente sem sentido, e depois continuaram a conversa. Quase que o trocadilho tinha passado despercebido. Quase, porque depois de uns 15 segundos, o Boy Master riu e disse "super trunfo, hehe, super trunfo... hehehehhehehe". Os outros, em dúvida, perguntaram o que houve e ele disse: "Voces estavam falando qual era o carro melhor e ele disse que vocês estavam jogando super trunfo.. hahahahahha" E aí todos riram.

Sabem a "vergonha alheia"? Tipo, quando você fica envergonhado pela outra pessoa estar fazendo uma coisa estúpida? Pois é, eu estava assim naquele momento. Me levantei, disse que ia pegar um refrigerante e fui embora. Sei lá, vai que a "síndrome do Boy" pega...

Entenderam porque eu me sinto solitário lá?

2 comentários:

  1. Por essas e outras que eu evito festas de familia. hehe

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  2. Ah... a família. Ruim com ela, pior sem ela. Eu acho...

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