Existe um filho e um pai. O filho "cai na besteira" de dizer para o pai que quer ser... sei lá, jornalista. O pai ri da inocência do garoto e diz que ele tem é que fazer concurso público, porque ser empregado de alguém é uma merda: ganha pouco, não tem seu trabalho reconhecido, é estressante, etc... A semente da crença de que esse mundo só tem lugar para advogados, médicos e derivados...
A intenção do texto não é discutir se o que o pai diz ao filho é certo ou errado. Longe de mim duvidar da sabedoria dos pais (sem sarcasmo). Eles tem anos de experiência na nossa frente plus sabedoria dos avôs e tals... Logo tem uma indubitável carga de sabedoria. E aí eles passam para os filhos. Nada mais justo, não?
Só que tem um probleminha aí. É o mesmo problema dos conselhos. Os conselhos, as dicas são abstrações intelectuais (ou seja: só palavras) de sentimentos e sensações. A palavra “dor” representa uma sensação de mal estar, incômodo que afeta o corpo. Representa. Mas não é a mesma coisa.
Ora bolas, o que acontece no conselho é que a Pessoa 1, que vivenciou uma situação, sentiu e interpretou passa para a Pessoa 2 a sua interpretação da situação. Isso não é crime, assim como a maioria das coisas do mundo. Ora bolas (2), se fulano meteu o dedo na tomada e pegou um choque, vivenciou o choque e chegou a conclusão que doeu pra porra, e me diz que não é para eu meter o dedo na tomada, eu o agradeço. Porque eu ENTENDI (racional) o que ele quis dizer e não preciso COMPREENDER (vivencial). O problema está quando, e aí nós voltamos ao exemplo inicial, o conselheiro direciona o aconselhado no sentido do seu conselho (você TEM que fazer isso...) quando a situação não implica num risco de vida (ou seja, isso não é proibido no exemplo da tomada), impedindo o aconselhado de vivenciar a situação e tirar suas próprias conclusões.
A minha geração é a dos filhos superprotegidos. Vê-se mães que correm atrás de filhos de 8 anos para dar comida na boca. Porque ficar com fome é ruim, eu já passei fome e nunca vou deixar meu filho passar fome. Ora bolas (3), quando se está com fome, busca-se uma saída para isso! Se uma pessoa é prevenida de ficar com fome ela nunca vai aprender a ir atrás de comida!
Não dá para o filho fazer o download das vivências dos pais (feliz ou infelizmente). Direcionar as escolhas das pessoas só vai fazê-las ficarem anestesiadas, aí o risco por si só já é ruim... Ora bolas (4)...
No caso de pessoas com motivação zero e cerebro de água-viva até que um aconselhamento caí bem. Digo mais, quando se está morando sob o teto dos pais e ainda sendo sustentado por eles não tem como escapar disso.
ResponderExcluirNo caso daquela pobre e infeliz criança que a mãe corre atraz para dar comida na boca, tambem penso que é errado. Mas como o que é certo e o que é errado está definido de acordo com as normas da sociedade, que foram geradas pela cultura, acredito que estou longe de encontrar uma resposta satisfatoria.
Jin Li