Desde que eu entrei na faculdade, uma coisa que tem me incomodado bastante é o nível de maturidade daqueles que a freqüentam. É complicado ver que hoje, o Ensino Superior se tornou uma espécie de “extensão” da vida escolar. Com isso quero me referir aos comportamentos típicos de alunos que esperam o conhecimento vir até eles, ao invés da responsabilização pela sua própria formação. Talvez você reconheça algumas pessoas assim na sua sala (e se você se reconhece como este tipo de pessoa... bem, ainda há tempo para mudar...).
Estudo numa instituição particular. Na época do vestibular, havia um mito de que as faculdades particulares são para os “filhinhos de papai” que não querem estudar, e que as universidades públicas eram os santuários do conhecimento. E como todo conhecimento baseado no senso comum diante de um olhar crítico, pode-se observar que a realidade é mais ampla e complexa do que tais crenças pregam. Na faculdade tem jovens de alta classe, que estão lá mais por ser uma “lógica” da vida (ensino fundamental - médio - faculdade...) do que para a própria formação. E tem pessoas que tem potencial, mas não conseguiram uma vaga na universidade por algum motivo (ora, se a universidade só tem, por exemplo, 100 vagas para o curso de Medicina, quer dizer que só os que passaram neste vestibular é que são os “escolhidos dos deuses” para serem médicos?...). Tem pessoas que dão duro para estarem lá, porque é caro. Tem quem só tenha encontrado seu curso numa faculdade (o caso da Publicidade aqui em Teresina). Tem todo tipo de gente, mas não vou ser hipócrita, é correto dizer que a maioria é da alta classe e que passa mais tempo em festas do que estudando. Se passar na porta da minha Faculdade é isso que você vai ver. Só que, daí para afirmar que todo mundo na faculdade é assim é exagero. E você pode me perguntar: “e onde estão os que estudam a sério?” Bem, estão estudando, ora mais. Estão correndo atrás de algum estágio, ou buscando livros para fazer pesquisa. Estão fazendo valer a mensalidade que é paga lá. Por isso que não dá para ver esses, porque para eles posar de universitário não leva a nada. Como não estudo numa instituição pública, me falta respaldo para falar delas. Só posso basear meu comentário no que meus amigos dizem. E eles dizem que as condições são terríveis. Que dependendo do curso, “quando tem professor, não tem sala, quando tem sala não tem professor, quando tem os dois, não tem alunos”... que tem professores que não dão a mínima, que existe um tipo de segregação social de acordo com o curso... e que todas essas dificuldades justificam a competência daqueles que lá se formam.
Eis um engano.
Não são as dificuldades que moldam o profissional, nem as facilidades (já que é mais ou menos assim que o senso comum divide as faculdades/universidades públicas e privadas respectivamente). A qualidade do profissional resulta de como ele lida com as dificuldades/facilidades que encontra. Aliás, tomo a liberdade de substituir a dicotomia, dificuldade/facilidade, por uma palavra só: oportunidades. Chamo assim porque, baseado no materialismo histórico dialético, o homem age sobre a natureza assim como a natureza age sobre o homem. Tudo aquilo que você faz no mundo muda uma coisa em você. Se passa horas lendo um livro, alguma coisa mudou em você, seja o aprendizado do conteúdo, seja um mal jeito na coluna. Se você caminha para algum lugar, suas pernas mudam com isso, você gasta certa quantidade de tempo e de energia, e se vai de carro, o gasto do tempo e da energia são menores, e nada afeta as pernas. O ponto é, aquilo que chamamos de dificuldades ou facilidades, são oportunidades revestidas de algum valor que as damos. E a forma como lidamos com isso é que nos edifica como pessoas.
Eu tenho um primo que se formou numa universidade estadual e é um profissional de merda. E na minha sala vejo que vão sair alguns profissionais no mesmo nível, então será que é a instituição quem DEFINE o profissional? Definição é uma palavra muito forte, dentro de uma realidade multideterminada, então obviamente minha resposta é não. O que eu percebo é que a realidade de muitos é a falta de responsabilização pela própria formação. O que eu vejo é uma ojeriza ao conhecimento, uma repulsão ao estudo... alienação. (alienação, materialismo histórico dialético... vão já pensar que sou marxista...)
Não estou querendo promover uma revolução de CDF’s, que as pessoas estudem 6 horas por dia, nada desse tipo. A minha constatação é que eu vejo um distanciamento entre os alunos e os conteúdos. Acompanhe-me: alguém sabe falar sobre a situação atual da novela, quem fica com quem, a próxima vítima do vilão, o triângulo amoroso da vez, e como o personagem principal está se sentindo com o seu drama. Esse alguém consegue te falar isso com um domínio louvável, como se tivesse acontecendo com ele. Mas aí você pergunta algo sobre... sei lá, a Idade Média, por exemplo, sobre a divisão das classes e como o pensamento católico da época manteve as pessoas no que chamam de Idade das Trevas... a pessoa te fala uma ou duas coisas que ela lembra que o professor disse, ou que leu num livro, isso se ela responder. E responde como se fosse uma coisa distante, de outro mundo. Porra! Quando essa alguém vai apresentar um seminário sobre alguma coisa, não é muito diferente de um gravador, que diz em voz alta uma parte de um texto de algum livro, mas para falar da vida dos outros, fala com propriedade!
O que eu proponho é a apropriação do conhecimento. Ao invés de usá-lo como um acessório, eu proponho mastigá-lo e engoli-lo, e o que for útil vai integrar seu corpo, o resto é jogado fora. Isso é construção. Concordo que o nosso sistema educacional não é dos melhores, que a pedagogia ainda está empacada com métodos tradicionais (provas e notas), que existem professores ruins e até a gestão da instituição de ensino atrapalha muitas vezes. Isso é uma verdade tão clara que chega a cegar. Mas falo do que vejo, e o que vejo são alunos que se alienam frente às oportunidades do conhecimento, que evitam a responsabilidade pela própria formação.
E se agora você se reconheceu com sendo assim, isso é ótimo, o primeiro passo foi dado. Só cuide para não ficar parado no meio do caminho.

q merda, deleta essa bosta de blog
ResponderExcluirQue bom que esse retardado aí de cima comentou anonimamente, pois deve ter vergonha de se encaixar no perfil de pessoas inúteis filhinhos-de-papai que só sabem fazer merda e criticar os que fazem alguma coisa de útil e legal como essa "bosta de blog", que é uma demonstração de conteúdo, coisa que o maldito anônimo não parece possuir.
ResponderExcluirContinuem os posts, estou acompanhando ( e gostando muito)
Engraçado que esse anônimo reclama do blog mas veio aqui pra ler o mesmo.Sinal de que ele gostou ou sente alguma inveja.
ResponderExcluirEi, é impressão minha ou esse anônimo tem personalidade múltipla?
ResponderExcluirA tarde ele reclama e à noite ele se contradiz...
cara estranho...
O bom é que o anônimo acessou 2 vezes o blog.
valeu anônimo.
O segundo anônimo sou eu =]
ResponderExcluirEu nunca iria pedir pra deletar esse blog q há mto tempo estava no planejamento e agora finalmente esta concreto hehe.
O primeiro anônimo é algum chato.
urrum urrum Anomino, eu sou um anonimo tmb
ResponderExcluirShow de bola a critica sobre Responsabilidade e Conhecimento. "O que eu proponho é a apropriação do conhecimento. Ao invés de usá-lo como um acessório, eu proponho mastigá-lo e engoli-lo, e o que for útil vai integrar seu corpo, o resto é jogado fora. Isso é construção."
ResponderExcluirFalou tudo.
ASSINADO: DÉCIO TAVARES
Memories are nice, but that's all they are.
ResponderExcluirJin Li
Engraçado como essa critica é óbvia e profunda ao mesmo tempo, pois, essa realidade é tão forte e presente que fica pairando em nossas cabeças fica lá cutucando (pelo menos eu espero que seja assim), até o ponto de conflito externo (no caso sua critica) que abala nosso “mundinho” e somos FORÇADOS a PENSAR, fugir da metodologia aplicada para formação de estudantes-profissionais ou derivados e buscar algo além daquilo necessário para completar o ritual de passagem.
ResponderExcluir“O que eu proponho é a apropriação do conhecimento. Ao invés de usá-lo como um acessório, eu proponho mastigá-lo e engoli-lo, e o que for útil vai integrar seu corpo, o resto é jogado fora.”
Falo tudo x2!
Gente, o primeiro anônimo está absolutamente certo. Nosso blog é uma merda. Em menos de uma semana já ultrapassamos 500 visualizações, e estamos sendo visitados em mais 2 países! Que merda, vamos deletar isso!
ResponderExcluir:D
Obrigado aos que elogiam e aos que criticam! Sua opinião vale muito!
Eu posto pros amigos, bem tem um q visita todo dia, só q ele não vira seguidor ¬¬
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